O drum'n bass está evoluindo. Mas a evolução pode soar um tanto estranha aos ouvidos de quem acompanha os passos do estilo há muito tempo. Mas por que isso? Fácil explicar: porque estamos voltando às origens. O estilo recupera agora uma das maiores influências das primeiras produções, ainda dos anos dourados do jungle e dá um loop na história. O dub está de volta. Essa vertente do reggae surgiu no começo dos anos 70. Artistas jamaicanos passaram a dar maior destaque em suas produções para dois instrumentos: bateria e baixo. As batidas e graves vinham acompanhadas por vários efeitos. As faixas geralmente traziam curtos trechos de vocais – para serem tocadas pelos DJs – ou nenhuma voz – para que nos sound systems os cantores entrassem ao vivo. Até mesmo músicas que surgiram antes do dub foram remixadas e relançadas em outras versões. Nomes como King Tubby, Lee Perry e Scientist fizeram história e são tidos como gurus do estilo. Os cantores de dub são chamados – estranhamente – de DJs. Um discotecário desse estilo é denominado Selector ou Selecta. E ainda hoje, o termo "dub" é usado para definir faixas que vêm sem vocais, geralmente retirados das versões originais. E onde entra o drum'n bass na história? Aqui: a combinação entre bateria e baixo também é a base da música que move os junglists. Nada mais óbvio poderia acontecer: o dub volta a aparecer em releases dos mais diversos produtores e selos. Claro que nem tudo é novidade: o estilo sempre trouxe marcas nas produções de artistas específicos. Um bom exemplo é o inglês Digital. Faixas tribais, guiadas pela pegada do dub sempre foram uma das linhas desse grande nome. "Eaze Off" e "Deadline" trazem a marca em suas composições. Das mais recentes, pode ser citada a faixa "Get Away" com vocais de Irie J, lançada pelo selo Bassbin em abril desse ano. O "Dub Soundclash EP" é outro exemplo muito próximo. Aqui, Digital se uniu à Jubbs Chambers – do duo Supply & Demand – para explorar de várias formas a influência do som jamaicano no drum'n bass. Muitos outros mostram que estão totalmente na onda. Também pelo Bassbin, "Mars" do Breakage traz a atmosfera jamaicana com vocais editados e pequenos efeitos de dub. Calibre – o produtor que emplacou mais hits em 2004 – também apresenta seus tostões de contribuição: o single "Little Man" / "Redlight" ao lado de Lee Davenport é declaradamente uma volta à velha escola, além de "Trust", por seu Signature. Muitas outras podem ser citadas: Artificial Intelligence e sua "Uprising", pelo V Recordings; Amit e a faixa "Changes", pelo Function; até mesmo a Hospital Records cedeu espaço: Cyantific com "Reincarnation Dub" (foto) é mais uma nessa lista. Essa nova levada de produções traz um pouco da vibração do jungle de volta às pistas: chegamos a um ponto de encontro com o passado – que, no fundo, nunca nos abandonou. O retorno às origens pode ter sido causado pela falta de novidades e pela constante busca por evolução no estilo. Fato é: se esse "algo mais" está sendo buscado em algo que já funcionou anos atrás, talvez ainda haja esperança. É preferível buscar inovação sob velhas influências a criarmos novidades descartáveis. Hélio "Weirdo" Matos é Redator do DNB Online
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